sábado, 10 de setembro de 2011

O Barão nas Árvores

"Passou anos e anos na floresta
Andou léguas e léguas sobre as folhas
Construiu sua casa feito ninho
Beijou sua mulher perto das nuvens
Um concreto bordado nas alturas
Com manobras de amor no precipício"

(Sobre as Árvores - Cordel do Fogo Encantado)

"A mesa era o lugar em que vinham à luz todos os antagonismos, as incompatibilidades entre nós e também todas as loucuras e hipocrisias; e por que justamente à mesa se determinasse a rebelião de Cosme. Por isso entro em detalhes no relato, pois de mesas postas não ouviremos mais na vida de meu irmão, isso é certo."

"O Barão nas Árvores" foi o segundo livro da trilogia "Os Nossos Antepassados" a ser publicado. As obras não formam uma sequência lógica, foram classificados como uma trilogia pelo próprio autor, que disse que eles mostram o processo de formação do homem moderno - alienado, dividido e incompleto.

O romance é narrado por Bágio, irmão do protagonista, que nos conta a vida de Cosme, uma criança rebelde que está sempre discordando das regras impostas pelos seus pais: o Barão de Rondó, homem obcecado pelo título de duque, e a Generala Corradina, que almejava uma carreira militar para seus filhos.
A história tem início no momento quando Cosme, aos 12 anos, recusa-se a comer os escargots e é expulso da mesa pela sua teimosia. O menino corre para o jardim, onde sobe em um Carvalho e diz que jamais descerá das árvores.
Até então, tudo parece apenas um capricho infantil e todos duvidam de sua capacidade de se manter ali por muito tempo, mas a situação se torna preocupante depois de alguns dias. Cosme estava decidido a não deixar o topo das árvores e aprendeu a sobreviver, conseguindo todos os elementos essenciais sem precisar tocar os pés em terra firme, desde alimentação até vestimentas.
Apesar de viver de modo não-convencional, jamais esteve completamente isolado da sociedade, pulando de galho em galho ele acompanhava toda a movimentação da região de Penúmbria, interagindo com as pessoas que por ele passavam e, assim, fazendo amigos e inimigos.

A história de Ítalo Calvino parece ser apenas uma fábula infanto-juvenil, principalmente quando é apresentado apenas um resumo como esse acima, mas vai muito além da rebeldia de um pré-adolescente que resolve fugir de casa por estar descontente com os pais. O livro mostra as dificuldades enfrentadas por Cosme no processo de adaptação ao meio em que passou a viver e as transformações que ele sofreu, desde as físicas até as psíquicas. Cosme é obrigado a enfrentar situações adversas, como a chuva, em condições que quase impossibilitam sua sobrevivência e a presença de elementos que colocam em risco sua vida, como animais selvagens, além de conhecer a realidade das relações humanas, como a deslealdade, a infidelidade, o banditismo e o falso julgamento. Mas nem só de momentos ruins é feita a narrativa, foi em cima das árvores que ele aprendeu, também, sobre a amizade e o amor, com todas as parcerias que ele firmou durante a vida.

Ou seja, como o livro é pequeno, a leitura é simples e a história é interessantíssima, recomendo a leitura aos que querem aproveitar os poucos momentos vagos com a literatura sem precisar passar meses com o mesmo livro.

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